Category Archives: Textos

Fotografar é produzir passado

Acionar  o clarão de magnésio das máquinas no século XIX ou apertar a tecla da câmara de um celular tem o mesmo efeito de produzir passado.

Bem-vindo a fragmentos do passado de Vitória da Conquista, organizados por data exata ou estimada, lugar e assunto.

De 1906, data da primeira foto postada aqui, até 31 de dezembro de 1989, limite temporal deste recorte, está em permanente construção uma linha do tempo que se pretende apenas ser um suporte para o deleite de viagens de memória, viagens no tempo.

Você pode embarcar nesta viagem rolando tela abaixo em direção ao passado, clicar em uma das tags  ou em décadas e assuntos de seu interesse nas categorias ao lado. Não deixe também de visitar e curtir nossa página no facebook.

Novas fotos,  informação e correções são muito bem-vindas.
Para saber mais sobre esta ideia, clique aqui.

Marcus Gusmão
gusmaomarcus@gmail.com

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Cronologia dos anos 80

1980 –  Faculdade de Formação de Professores se transforma na Universidade Estadual do
Sudoeste da Bahia.
–  Fundada a Academia Conquistense de Letras.
–  Inaugurado o Ginásio de Esportes Raul Ferraz.
–  Inaugurado o Cristo de Mário Cravo, no alto da Serra do Periperi.
19859 de novembro – Inaugurada a Praça Tancredo Neves.
1986 – Inaugurado o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima.
1988 – Murilo Mármore é o primeiro prefeito eleito no período pós-redemocratização.
– Instalada a  TV Cabrália, primeira sucursal regional de um canal de televisão.
1989 – Realizada primeira micareta da cidade.

Fonte: http://www.pmvc.ba.gov.br/v2/cronologia/

Vitória da Conquista Primitiva

Ruy Medeiros*

Ainda não foi encontrado documento anterior a 1.780 que especificamente fale do núcleo de população inicial que deu origem à cidade de Vitória da Conquista. Os velhos documentos falam seguramente do Sertão da Ressaca, vasto território entre os rios Pardo e de Contas, exceto na parte coberta pela mata grossa. O Sertão da Ressaca corresponde, grosso modo, o Planalto da Conquista. Mas, à falta de descoberta de uma fonte mais antiga, é daquela data o primeiro escrito a falar de um “rancho” com cerca de sessenta pessoas sob o comando de João Gonçalves da Costa, natural de Chaves, Trás-os- Montes, Portugal.

Tudo indica que referido rancho é o mesmo núcleo primitivo que passou a sede do Distrito da Vitória quando Caetité, elevada a Vila, dividiu seu território em distritos. Nada depõe ao contrário desse entendimento. Mas o nome que permaneceu, apesar de o distrito ter a denominação de Vitória, foi Conquista.

Maximiliano, príncipe de Wied-Neuwied, quando passou pelo Sertão da Ressaca, em sua memorável viagem pelo Brasil, em 1817 alcança o Arraial da Conquista e desse dá curiosa descrição que Vale a pena transcrever, pois muitos não têm acesso ao livro do Príncipe (“Viagem ao Brasil”), apesar de este já contar com três edições no Brasil. Diz Maximiliano de Wied-Neuwied:

“Arraial da Conquista, principal localidade do distrito, é quase tão importante como qualquer vila do litoral. Contam-se aí de trinta a quarenta casas baixas e uma igreja em construção. Os moradores são pobres; daí a razão por que os ricos proprietários das redondezas, as famílias do coronel João Gonçalves da Costa, o capitão-mor Miranda e algumas outras empreenderam a construção da igreja às suas expensas. Independentemente dos recursos que a cultura dos campos fornece para a subsistência dos habitantes, a venda do algodão e a passagem das boiadas, que vão para a Bahia, lhes proporcionam outros meios de vida. As boiadas que vêm do Rio São Francisco passam também por essa localidade, e algumas vezes vêem-se chegar, numa semana, para mais de mil bois, que se destinam à capital. O gado comumente emagrece, durante o longo trajeto que tem de percorrer, motivo pelo qual deixam-no descansar, aí, durante algum tempo, e mandam-no para se refazer nos pastos mais próximos.

“Grande parte dos moradores do Arraial compõe-se de trabalhadores e de rapazes desocupados, que ocasionam muitos distúrbios, pois ali não há polícia. A malandrice e uma inclinação imoderada para as bebidas fortes são traços distintivos do caráter desses homens; daí resultam disputas e excessos freqüentes, que tornam detestável esse lugar, de má fama para as pessoas mais sérias e consideradas, que vivem em suas fazendas, espalhadas em torno. Fomos muitas vezes incomodados por pessoas embriagadas e algumas vezes foi a grande custo que nos desembaraçamos dessa gente, que singularmente nos aborrecia. Trazendo cada um, como é perigoso costume da terra, um estilete ou um punhal na cintura, esses homens grosseiros e imorais, que nenhuma espécie de vigilância contém, cometem freqüentes assassínios e outras violências. Algumas semanas antes de nossa chegada, certo morador havia matado a tiros um outro. Eis porque nunca será demais recomendar aos viajantes que procedam com a máxima cautela em Arraial da Conquista, para evitarem, para si e para o seu pessoal, aborrecimentos muito sérios”.

Considerando o quantitativo, geralmente aceito pelos historiadores brasileiros para o Século XIX, de seis pessoas por casa, em 1817, a população do arraial da Conquista, seria entre 180 e 240 habitantes.

Maximiliano fala em Igreja em construção. Deve ter havido grande demora na edificação do templo católico dedicado a Nossa Senhora da Vitória, pois desde 1804 já a família de João Gonçalves da Costa estava autorizada a edificar a casa de Oração com um campo santo (cemitério) contíguo. A Igreja primitiva foi construída uns sessenta metros abaixo de onde hoje se encontra a atual Catedral de Nossa Senhora das Vitórias.

O arruamento primitivo seguia o curso do riacho da Vitória (Rio Verruga, ou Córrego do Poço Escuro), pois os quintais das casas davam para o referido riacho (que hoje passa por galeria, sob a rua Ernesto Dantas), por isso que não era retilíneo. Depois surgiram ruas do lado oposto, formando uma grande praça (rua Grande), que alcançava desde a Catedral de Nossa Senhora das Vitórias até o lugar onde hoje se encontra o prédio da Igreja Batista (o “miolo” de edificações onde se encontram prédios do Banco Bilbão, Credic, Hotel Albatroz e outros, só surgiu na década de 40 do Século XX).

Gradativamente, seguindo a direção do Rio Verruga (riacho da Vitória, ou córrego do Poço Escuro), as casas foram sendo edificadas. Eram casas de “enchimento” (barro batido). Mais tarde, em 1840, a administração da Vila cuidou de deixar ruas travessas para dar acesso ao riacho (atuais ruas do Lisboa e Ramiro Santos). O Distrito foi elevado a Vila (Município) em 1840.

Depois o arruamento passou a seguir caminhos (estradas) vicinais: Estrada de São Bernardo (ruas Elpídio Flores, antiga Coronel Roseira, e rua 10 de Novembro), rua da Muranga (ruas San Juan, Siqueira Campos), estrada dos Campinhos (Av. Fernando Spínola), etc. No final do Século XIX já havia o largo onde hoje está o prédio sede da Prefeitura Municipal (antigo Quartel da Polícia) e a Praça da Piedade (Praça 9 de Novembro). A Praça Sá Barreto foi aberta pela municipalidade em 1904.

No início do Século XX, a cidade era pequena (porém já uma das maiores da Bahia), e a República, em julho de 1891, oficialmente a denominava de Cidade da Conquista. O sítio urbano não ia além da Praça Sá Barreto (a Norte), Praça Vitor Brito (a Sul), Rua do Espinheiro (Pinheiros), a Oeste, ou, em outro ponto, o início da atual rua da Misericórdia, com alguns vazios e alguns prolongamentos sem maior significado de tamanho, em direção a caminhos.

Do rancho ao arraial, deste à Vila e da Vila à cidade, o caminho foi certamente longo e o espaço ocupado pela cidade hoje impressiona e desafia.

* Fonte: http://agentediz.com.br/contando-a-nossa-histoira-conquista-primitiva-por-rui-medeiros/